Dor cervical: qual abordagem manual apresenta melhores resultados?

A dor cervical está entre as condições musculoesqueléticas mais frequentes na prática clínica, podendo comprometer a mobilidade, a capacidade funcional e a qualidade de vida. Manipulações vertebrais, mobilizações articulares e técnicas de tecidos moles são amplamente utilizadas no tratamento, mas qual dessas estratégias apresenta melhores resultados?

Uma revisão sistemática com metanálise em rede, publicada no BMJ Open em 2025, analisou 101 ensaios clínicos randomizados, envolvendo 7.633 participantes. Os pesquisadores compararam diferentes modalidades de tratamento manual para investigar seus efeitos sobre dor, incapacidade funcional e amplitude de movimento cervical.

Os resultados favoreceram as abordagens manuais multimodais, que combinaram duas ou mais técnicas, na redução da dor e da incapacidade cervical. Já a manipulação apresentou as melhores posições nos rankings de melhora da flexão e extensão cervical. Entretanto, 61,3% dos estudos apresentaram alto risco de viés, e a certeza das evidências variou de moderada a muito baixa. Portanto, os rankings não devem ser interpretados como comprovação definitiva de superioridade clínica.

DA EVIDÊNCIA À CONDUTA CLÍNICA

  • Avaliação: investigar intensidade da dor, limitações funcionais, amplitude de movimento, sinais neurológicos e possíveis contraindicações antes de selecionar a técnica.
  • Intervenção: considerar a combinação de mobilizações, manipulações e técnicas de tecidos moles conforme a apresentação clínica, as preferências e a resposta do paciente, integrando exercícios e educação quando indicados.
  • Reavaliação: acompanhar a evolução da dor, da incapacidade cervical e da mobilidade, utilizando medidas clínicas padronizadas para orientar a continuidade ou modificação do tratamento.

REFERÊNCIA CIENTÍFICA

Gong Z, Liu W, Gao Y, Chen S, Feng X, Li J, et al. Effectiveness of musculoskeletal manipulations in patients with neck pain: a systematic review and network meta-analysis. BMJ Open. 2025;15:e098682.

DOI: 10.1136/bmjopen-2024-098682

Nota científica: apenas cinco dos 101 estudos relataram eventos adversos. Portanto, esta revisão não permite estabelecer conclusões robustas sobre a segurança comparativa das técnicas.

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