A dor lombar crônica representa um desafio frequente na prática clínica, comprometendo a mobilidade, a capacidade funcional e a qualidade de vida. Entre as estratégias conservadoras disponíveis, a manipulação vertebral é amplamente utilizada na quiropraxia e na fisioterapia manipulativa. Mas quais benefícios essa intervenção realmente oferece?
Uma revisão sistemática com metanálise publicada no British Medical Journal (BMJ), em 2019, reuniu 47 ensaios clínicos randomizados, envolvendo 9.211 participantes. Os pesquisadores identificaram que a manipulação vertebral apresentou resultados semelhantes aos de outras terapias recomendadas para redução da dor, com pequenas vantagens na melhora funcional em curto prazo.
Os resultados sustentam a manipulação vertebral como uma opção no tratamento conservador da dor lombar crônica, mas não demonstram superioridade consistente sobre outras intervenções recomendadas. A heterogeneidade das técnicas e dos protocolos, além das limitações metodológicas de parte dos estudos, reforça a necessidade de decisões clínicas individualizadas.
DA EVIDÊNCIA À CONDUTA CLÍNICA
- Avaliação: investigar características da dor, limitações funcionais, fatores psicossociais e possíveis contraindicações antes de indicar a manipulação vertebral.
- Intervenção: considerar a manipulação como parte de um plano terapêutico individualizado, integrando exercícios, educação e estratégias de autogerenciamento conforme as necessidades do paciente.
- Reavaliação: monitorar dor, incapacidade funcional e resposta ao tratamento, utilizando instrumentos clínicos validados para orientar a progressão ou modificação da conduta.
REFERÊNCIA CIENTÍFICA
Rubinstein SM, de Zoete A, van Middelkoop M, Assendelft WJJ, de Boer MR, van Tulder MW. Benefits and harms of spinal manipulative therapy for the treatment of chronic low back pain: systematic review and meta-analysis of randomised controlled trials. BMJ. 2019;364:l689.
DOI: 10.1136/bmj.l689